notícias > Transamazônica é a aposta de crescimento econ
A Transamazônica, fruto do espírito ufanista que marcou a década de 1970 no Brasil e cenário do premiado filme brasileiro Bye, Bye Brazil, do diretor Cacá Diegues, está em vias de renascer. Desde 2000, com o governo sob a batuta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ensaia-se o seu retorno. Em 2003, no início da administração Luiz Inácio Lula da Silva, foi feita outra tentativa de trazer à cena a recuperação e pavimentação da estrada que, segundo projeto original, deveria cortar o Brasil de maneira transversal, cruzando as regiões Norte e Nordeste ao ligar Cabedelo, na Paraíba, a Benjamin Constant, no Amazonas. Havia, ainda, a perspectiva fazê-la chegar até os vizinhos Peru e Equador, numa extensão total que poderia chegar em nada menos que 8 mil quilômetros.
A Transamazônica de hoje, no entanto, é bem mais modesta que a obra faraônica prevista na década de 70. O trajeto previsto para passar por obras de recuperação e pavimentação está centrado em uma extensão de aproximadamente 2 mil quilômetros, entre Altamira, no Pará, até Lábrea, no Amazonas. Está na área de abrangência da região conhecida como Volta Grande do Rio Xingu, no Pará, e é, ao lado da Usina de Belo Monte, a aposta de crescimento econômico local.
"A decisão de resgatar essa estrada, dando prioridade aos serviços de recuperação, foi tomada em função das perspectivas de ocupação e produção econômica na região", explica Hideraldo Luiz Caron, diretor de infraestrutura terrestre do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Segundo ele, o governo já obteve as licenças ambientais para a licitação de toda a extensão da obra. No entanto, alguns trechos, localizados nas proximidades de áreas onde vivem populações indígenas, ainda não conseguiram as licenças de instalação, que permitem a execução do que foi contratado. "Entre abril, no mais tardar em maio, vamos finalizar os processos", explica.
O DNIT irá pavimentar aproximadamente 700 quilômetros da BR-230 (Transamazônica), entre a divisa do Tocantins com o Pará até o município de Rurópolis (PA). Para concluir o empreendimento, será gasto cerca de R$ 1,4 bilhão, assegurado pelo governo federal por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Também serão investidos R$ 58 milhões na manutenção da rodovia nos estados do Pará e Amazonas.
No ano passado, foi inaugurada a ponte sobre o rio Araguaia, localizada no município de Araguatins, facilitando a ligação entre o Pará e Tocantins pela Transamazônica. A estrutura possui 900 metros de extensão e nela foram investidos R$ 71 milhões. A obra de arte liga o município de Araguatins ao Porto Jarbas Passarinho, na BR-230, em um trajeto que era feito, até então, por balsas.
As obras da Transamazônicas, quando concluídas, beneficiarão 13 municípios ao longo da rodovia, além de dar escoamento à produção do Distrito Industrial de Marabá (Vale), ainda a ser implantado.
Fonte: Valor Econômico
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