Rio de Janeiro e Brasília. A gigante da siderurgia mundial Arcelor Mittal lidera um plano B para o escoamento da produção de minério de ferro das mineradoras de Serra Azul, Norte de Minas Gerais. A intenção é colocá-lo em prática assim que o governo assinar o decreto do novo marco regulatório do setor ferroviário. A empresa, que desde 2008 atua na região, pretende investir - ao lado de pequenas como Minerita e JMN - cerca de US$ 50 milhões na compra de trens e na instalação de terminais no Estado.
Assim, elas poderão operar suas próprias composições e pagar à MRS, que detém a concessão da ferrovia que liga Minas ao Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, apenas o valor referente ao direito de passagem nos trilhos, uma espécie de pedágio. Hoje, as empresas têm de pagar o frete integral e se queixam de que o valor pago à MRS é o dobro do que a concessionária cobra de seus sócios, entre eles Usiminas, Vale e CSN.
Uma vez assinado o decreto, as mineradoras de Serra Azul pretendem destinar os US$ 50 milhões para a aquisição de quatro trens com 132 vagões, além de investir na construção de dois terminais ferroviários, em Brumadinho e Sarzedo, região metropolitana da capital.
Segundo o ex-presidente da Arcelor Mittal Serra Azul e consultor para assuntos logísticos da empresa, José Francisco Viveiros, as composições poderão ser encomendadas tanto no Brasil como no exterior, já em 2011. "É uma opção ao frete elevado que temos que pagar", diz ele, que também preside a Associação das Mineradoras de Serra Azul (Amisa), formada por cinco mineradoras.
Viveiros ressalta que o objetivo primordial da associação continua a ser a redução da tarifa da MRS, pleito antigo das empresas, que ganhou novos contornos com a entrada da Arcelor na briga em 2008.
O presidente da MRS, Eduardo Parente, rebate as críticas. "É natural que clientes com maior volume e comprometimento de longo prazo permitam diluir os custos fixos e os investimentos necessários para a operação ferroviária.
Para ele, o plano das mineradoras "não tem substância e é uma estratégia para forçar queda de preços e transferência do risco do negócio dos clientes para a ferrovia".
Decreto
Marco regulatório de ferrovia é adiado
Rio de janeiro e Brasília. O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, disse ontem, durante seminário do setor ferroviário, que o governo não vai mais assinar nesta semana o decreto do novo marco regulatório do setor ferroviário. Segundo Passos, o objetivo do adiamento é ampliar as conversas com o setor privado, que se opõe a pontos da regulamentação. “Vamos conversar com todos os interessados”, afirmou o ministro.
O secretário-executivo da Associação Nacional do Transporte Ferroviário (ANTF), Rodrigo Villaça, elogiou a decisão do governo. “Faltava um diálogo complementar”, disse Villaça, que aponta a interferência da nova regulamentação nos contratos existentes como o principal ponto de divergência .
A agência propõe repactuar os 12 contratos de concessão com as quatro grandes empresas do setor: Transnordestina, Vale, ALL, MRS. Um dos pontos em discussão é a revisão do valor do arrendamento pago anualmente (cerca de R$ 400 milhões), para dar fôlego aos investimentos.
Elaborado em 2008 pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o decreto tem dois objetivos: tornar o setor mais competitivo e estimular investimentos na malha. As normas atuais estão em vigor desde 1996.
Fonte: O Tempo
12/08/2010
Ver todas


