O diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo, disse hoje que os empreendedores interessados no trem-bala - que interligará as cidades de Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas - não têm mais dúvida sobre a projeção de demanda elaborada para o período de concessão. Segundo o diretor, este era um dos principais pontos de dúvidas dos investidores na época do primeiro adiamento do leilão, no final de 2010.
Ao anunciar o segundo adiamento do leilão, para julho, Bernardo afirmou que as empresas já acreditam no potencial de retorno financeiro do projeto. Ele disse que a decisão foi tomada para atender aos pedidos das empresas, mas também pelo fato do governo ainda não contar com a aprovação, pelo Congresso Nacional, da linha de financiamento especial do Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES) e a estatal absorverá a tecnologia de trem de alta velocidade (TAV) do consórcio vencedor.
Sobre a projeção de demanda, a ANTT prevê um fluxo de 33 milhões de passageiros por ano, no primeiro ano de concessão (2014), e 100 milhões para o último ano (2044). Com o atraso da licitação, os anos de referência mudaram e a demanda poderá ser ainda maior, garantiu o diretor.
Bernardo ainda afirmou que não há garantias de que o trem-bala fique pronto para as Olimpíadas de 2016. No entanto, ele assegurou que é possível. A expectativa é de que o empreendimento comece a operar no prazo máximo de seis anos.
No momento em que o governo anuncia o segundo adiamento, os investidores demonstram interesse claro pelo projeto. Tanto as empresas internacionais detentoras da tecnologia, quanto as cinco principais empreiteiras brasileiras (Camargo Corrêa, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e OAS).
A única reivindicação que a ANTT se propôs a avaliar se refere ao índice de nacionalização de equipamentos. Bernardo ressaltou que as condições já estão postas. Inclusive se a construção custar além do previsto, a responsabilidade será da concessionária.
O empreendimento está estimado em R$ 33 bilhões. Cerca de R$ 19 bilhões serão financiados pelo BNDES e outros R$ 3,4 bilhões serão injetados pelo governo via compensações ambienta e desapropriações, correspondente a fatia de participação acionária no projeto. O restante, em torno de R$ 10 bilhões, ficará a cargo dos do grupo de empreendedores que fará o investimento com aporte de recursos próprios ou outras linhas de financiamento.
Fonte: Valor Online
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