A Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), controlada pela Vale S/A, está investindo R$ 180 milhões para readequar e modernizar toda a frota responsável pelo transporte de açúcar, o que equivale a 1.500 vagões. A operação envolve uma parceria entre a empresa ferroviária e três importantes clientes do setor sucroalcooleiro - Copersucar, Cargill e Louis Dreyfus. As companhias subsidiam a reforma das unidades e, em troca, recebem descontos nos fretes das mercadorias. As informações são da assessoria de imprensa da FCA.
Os vagões são utilizados para levar o produto ao Porto de Santos (SP) pelo chamado corredor paulista, um complexo que integra os estados do Sudeste e Centro-Oeste do país. Atualmente, a FCA transporta 1,5 milhão de toneladas anuais pelo circuito.
A restauração, que está sendo feita pela empresa AmstedMaxion, em Hortolândia (SP), deve ser finalizada até maio, período em que se inicia a próxima safra do setor sucroalcooleiro no Brasil, mas parte dos equipamentos modernizados já está em circulação nas ferrovias.
Mesmo sem haver acréscimo no número de vagões, a reforma permitirá um aumento de 40% da capacidade de transporte de açúcar pela FCA em razão da otimização do tempo de descarga. Com a modernização, a descarga da mercadoria, que podia levar até 40 minutos, passará a ser realizada em apenas cinco minutos, o que significa que os trens ficarão mais tempo rodando nas ferrovias.
A princípio, a reforma atenderá somente aos vagões que transportam a commodityagrícola. A empresa ferroviária optou por não informar se a iniciativa será expandida a unidades destinadas a outros produtos e também não comentou sobre a realização de novos investimentos.
A malha ferroviária da FCA conta com cerca de 8 mil quilômetros e cruza 300 municípios em sete estados (Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Sergipe e Bahia). O sistema logístico é formado por 500 locomotivas e mais de 12 mil vagões. Os principais produtos transportados pela ferrovia são ascommodities agrícolas, como soja, milho e açúcar.
Desempenho - De acordo com o balanço financeiro divulgado no final de outubro, no terceiro trimestre deste ano o prejuízo da FCA chegou a R$ 19,7 milhões ante R$ 3,2 milhões no mesmo período do ano passado. No entanto, segundo a empresa, o desempenho se deu em função do aumento da constituição das provisões com ações trabalhistas, cíveis, tributárias e das despesas com processos judiciais e quitação de processos judiciais.
Ainda conforme a FCA, os investimentos realizados no terceiro trimestre totalizaram R$ 102,9 milhões, um aumento de 93,42% em relação ao mesmo período do ano anterior. Dentre eles, os destaques foram a implantação da infrestrutura e superestrutura da Via Permanente, com R$ 68 milhões investidos; a construção e ampliação de pátios, com aportes de R$ 18,572 milhões; gastos com material rodante, R$ 5,133 milhões; e despesas de R$ 1,589 milhão com operações ferroviárias.
A receita líquida no período somou R$ 268,9 milhões. Em igual período do ano passado, foram R$ 265,5 milhões, ligeira alta de 0,013%.
Fonte: Diário do comércio
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