O papel da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) é muitas vezes confundido com o de outros órgãos, como o DNIT e o DER. Esclarecer os cidadãos sobre as suas atividades é um dos grandes desafios que fazem parte do planejamento estratégico da agência - que é responsável pela regulamentação e fiscalização dos contratos de concessão de rodovias e de ferrovias do país.
Para auxiliá-la, a ANTT contratou o Instituto Publix e a consultoria Plano para traçar objetivos, definir indicadores, elencar prioridades e, por fim, implantar uma central de monitoramento de resultados.
Um dos primeiros frutos dessa parceria é uma cartilha que deverá ficar pronta dentro de um mês e será distribuída gratuitamente aos cidadãos. "A carta de serviços vai explicar não só as funções da ANTT, mas também como ela se relaciona e contribui com os usuários", conta Alexandre Borges, diretor do instituto.
"Em 2009, o presidente Lula disse que aquele era o ano da gestão pública no país, por isso a ANTT resolveu revisitar a sua missão, que até então tinha como objetivo harmonizar a agência e o setor de transportes. Nesse processo, ela viu que o usuário é o seu principal cliente e a razão de sua existência", diz Elizabeth Braga, superintendente de gestão da ANTT.
Segundo ela, no momento, todos os esforços estão concentrados na implantação da central de monitoramento de resultados. José Carlos Torquato, diretor da Plano, relata que o primeiro passo foi capacitar os funcionários e gestores para depois estruturar o sistema de monitoramento do desempenho dos projetos. "O intuito é dar ainda mais transparência à ANTT", afirma Torquato.
Quando a implantação for concluída, os gestores de cada programa serão responsáveis por alimentar o sistema. Em caso de atraso nos prazos, um sinal amarelo será acionado. "Isso vai ajudar muito as equipes a perseguir os seus objetivos", acredita Elizabeth.
"A cada três meses, serão feitas reuniões para mostrar os resultados e comentar o andamento dos projetos. Tudo será transmitido via intranet para todos os servidores poderem acompanhar", acrescenta.
Segundo Elizabeth, ao todo, foram traçados pela agência 21 objetivos estratégicos, 46 indicadores e 37 projetos imprescindíveis. Cada um deles se ramifica em vertentes distintas - como o que abrange a melhoria do marco regulatório e o aperfeiçoamento operacional.
Capacitação
De acordo com Elizabeth, da ANTT, o primeiro passo da capacitação foi estabelecer uma cadeia de valor para assegurar que todos participassem das mudanças.
Foram feitas 150 oficinas destinadas a gestores e à equipe técnica: "Todo mundo tem gostado muito das mudanças, pois vê o andamento dos processos. Acredito que foi queda de paradigma, porque os órgãos públicos não estão acostumados com novas maneiras de trabalhar. Isso vai ficar de legado para a agência".
Os benefícios a longo prazo serão sentidos pelos usuários de rodovias e ferrovias. Segundo Borges, da Publix, com o processo de trabalho definido, as fiscalizações e regulamentações serão mais eficazes. Isso significa que demorará menos tempo. "Trará mais qualidade para os cidadãos", analisa.
Mas esse processo de melhorias não tem prazo para acabar, lembra Borges. "É um processo que se retroalimenta. Quando se atingirem as atuais metas, novos objetivos serão traçados", afirma.
Por trás de todas essas mudanças, aponta Torquato, há uma transformação cultural. "É um grande benefício para toda a agência", acrescenta.
Fonte: Brasil Econômico
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